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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Acabou o que não começou

Olhão, 2 de Julho de 2008

Acabaram as comemorações dos 200 anos da Vila de Olhão da Restauração, sem honra, sem brilho, nem coisa que o valha.
Assim mesmo sem tirar mas a pôr ainda mais.
Desde o dia 16 de Junho que ando a adiar o voltar a manifestar-me aqui sobre as comemorações por não encontrar palavras suficientemente comedidas para não ser malcriado.
Para alguma palavra mais forte peço desculpas porque queria dizê-la dez vezes mais acrimoniosa.
As comemorações organizadas pela Câmara foram uma MERDA.
Indignas para o significado que a efeméride tem para o povo olhanense. Para os olhanenses que mostraram tê-los no sítio há 200 anos e todos os outros de então para cá, mesmo que hoje pareçam ser poucos.
O dia 16 de Junho, que pressupunha ser o maior das comemorações, a edilidade, toda, mais a sua Comissão prás festas serviu um desfile quatro vezes requentado e um exemplo do mais acabado do que é abandalhoqueira na gestão autárquica de Olhão, 15 dias depois de inaugurada a Biblioteca ainda não fornece o cartão necessário para a utilização dos meios existentes pelos utentes e quando chegar está para saber se toda aquela traquitana informática funciona, ademais dos livros nem vê-los.
O trabalho do professor Felício e dos alunos da João da Rosa, mereciam melhor.
Nestes primeiros seis meses não houve, absolutamente nada, de digno, próprio e adequado que se possa dizer isto é comemorativo . Os restantes  seis e últimos,  devem ser do esquecimento do ano em que estamos.
A trapalhona aventura marítima de Francisco Leal em levar o Caíque ao Brasil é  uma  chafurdice  moral e intelectual e antítese do que José Agostinho de Macedo, em 1809 escrevia em  “O Novo Argonauta”:
Talvez ignore o frígido Tamisa,
                                E o Sena transformado em sangue e luto,
                                Que o Atlântico mar banhe a pequena
                                E mal sabida Olhão: he esta a pátria
                                Do novo heroe, do vencedor dos mares
                                Co’ as frágeis armas d’hum batel pequeno;
                                Cuja façanha audaz deixa esquecidos
                                De Américo, e Colombo o nome, e os feitos.
(citado daqui)
 
 
Talvez mais (?) capaz nas lides silvícolas do que para a administração da coisa municipal colocou Olhão completamente à deriva qual timoneiro sem timão nem leme no meio de borrasca.
A Câmara de Olhão não tem plano nem ideias para o desenvolvimento económico, para a criação de actividades produtivas e serviços que dêem trabalho de qualidade aos desempregados e aos mal pagos do concelho. Promete, a que preço, uns empregos sazonais para a zona da sua turística Marina.
Olhão não tem um plano nem ideias para a formação profissional da juventude e dos desqualificados. Deixa ao abandono e à mendicidade as largas centenas dos que necessitam de apoio e incentivo.
Olhão não tem um plano de desenvolvimento urbano consistente, que não crie assimetrias e persevere e qualifique os valores arquitectónicos identificadores do concelho. Cria zonas só para os ‘ricos’ e deixa degradar outras até á ruína para os pobres e ‘típicos’. Deixa a Barreta ruir. Destina uma área que deveria ser de fruição colectiva lúdico-cultural e desportiva, a Quinta de Marim, ao turismo elitista para satisfação de projectos bacocos de desenvolvimento e arrelvamento dos campos de trabalho de Estácio da Veiga.
 Olhão não tem um projecto de desenvolvimento e animação cultural que integre, que inclua a juventude e toda a população. Constrói com subsídios, comparticipações, com fundos perdidos e a perder autênticos monstros de deglutição do erário municipal: a Biblioteca, o Auditório, Museu o Centro de Inovação e Tecnologia, donde a população é excluída, (veja-se, novamente, o caso da Biblioteca onde muitos dos que já visitaram nem tão cedo lá voltam).
Em Olhão estamos mesmo na necessidade de ter que abrir o tampão do Caixote do Lixo da História.

 

publicado por Raul Coelho às 22:26
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