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Sábado, 27 de Março de 2010

À Junta de Freguesia de Olhão

Olhão, 27 de Março de 2010

Exma. Sra. Dra. Gracinda Rendeiro, Presidenta da Junta de Freguesia de Olhão, queira receber os meus cumprimentos e votos para que lhe esteja a decorrer pessoalmente o novo exercício do seu mandato autárquico ao seu desejo, que certamente desejará que corresponda ao que os fregueses esperam.

Tive uma visão, um sonho, que não poderei deixar de partilhar com a senhora e que desde já estou ousadamente convencido que ficará agradada como eu fiquei, ou não fossemos olhanenses amantes do nosso Olhão.

Numa recente reunião, em que numa representação do Somos Olhão! lhe fomos pedir a disponibilização de um espaço para as nossas reuniões associativas, fiquei a conhecer carências que a Sra. deixou transparecer com que a Junta também se debate: falta de receitas, até é a única Junta do Concelho que não cobra com os mortos, pois não tem cemitério; e também de espaço, em que até os cursos de formação que organiza tem de ser ministrados nos corredores atafulhados da sede.

Se para o cemitério não sonhei solução, para o espaço encontrei-o mesmo a lado da actual Sede da Junta, no edifício do antigo Grémio das Conservas.

 

Edifício à espera do camartelo e espaço pelo betão em altura, que outra coisa não vê o seu compincha presidente camarário, mas que é indissociável da memória dos tempos em que a indústria de conservas movia e os seus donos mandavam em Olhão.

Ocupa uma área considerável que a gula  imobiliária não vai deixar incólume, com esta crise marafada, não dá para agora as aventuras especulativas, mas como não vai ser eterna é só aguardar.

 

clique na imagem para ver mapa

Estou a ver a Sede da Junta e uns anexos mais aquilo que ainda não houve coragem de ser assumido com vontade, não digo já um Museu, mas pelo menos, um Núcleo Museológico da Indústria Conserveira, tanto mais que a amostra existente no Chalé João Lúcio foi despejado para escritório da Sra. Valentina Calixto, onde pudesse estar vivamente reunidos os artefactos, equipamentos e tudo o mais ilustrativo desta actividade económica que com a pesca estão na base da criação e desenvolvimento de Olhão até um passado ainda recente.

Não consegui “visualizar” quem estava à frente da concretização deste sonho, mas pelo que vejo nos actuais figurantes autárquicos a Sra. tinha um papel importante.

Queira aceitar as minhas desculpas se por acaso expectei mais do que aquilo que a Sra. ousa.

publicado por Raul Coelho às 11:39
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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Os Mercados de Olhão – Exposição

Olhão, 24 de Março de 2010

Está, no Museu Municipal de Olhão, aberta ao público até 15 de Maio uma exposição documental da responsabilidade do Arquivo Histórico Municipal, é pequena que chegue para uma sala mas chega para dar uma ideia da génese imediata da edificação deste conjunto arquitectónico emblemático da cidade.

 

 

Uma lição de transparência no tempo em que era presidente da Câmara José Maria da Pádua e que o actual, Francisco Leal não consegue já aprender.

Era no dia 15 de Outubro do Ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo 1865 que estando nos Paços do Concelho o já citado José da Pádua mais três Vereadores “foi ordenado ao Porteiro, à altura um tal António Pedro Ruiz que pusesse em praça pública a construção da obra do Telheiro da nova praça do peixe . . . a quem a quisesse fazer mais em conta po modo mais vantajoso para o Municipio .  . . e dando logo o dito Porteiro execução a este madato, andando rua abaixo e rua acima apregoando alto e bom som e recebendo . . .” e foi João Batista Pepe oficial de Pedreiro desta mesma Vila que ficou com a obra por dois contos duzentos e cinquenta mil reis a executar até 31 de Julho do ano seguinte.

Hoje as obras da Câmara, de um modo geral, são decididas pelo presidente com entrega da execução ao amigalhaço engenheiro chamado a concurso para consulta à melhor repartição do orçamento pelos figurantes processuais, tudo, dispensando os bons ofícios publicitários do Porteiro.

Este Telheiro de 1865 ainda não foi o que deu origem aos edifícios dos actuais Mercados, estes arrancaram em 1912 segundo o traço da responsabilidade do farense José Lopes Rosário, Construtor de Obras Públicas e seguidor das modernices da época, com a utilização do ferro.

Os edifícios um para o peixe outro para as verduras foram construídos em terreno já então roubado à Ria, à Praia do Canal de Olhão, para dar consolidação à construção recorreu-se a “forma particular e curiosa, na medida em cada uma delas está apoiada em 88 estacas ligadas entre si por arcos de alvenaria de tijolo. O processo de fixação das estacas foi de tal forma avançado para a época que ficou na memória da população.”

Ainda hoje há por ali o Bate Estacas.

publicado por Raul Coelho às 19:49
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Domingo, 18 de Maio de 2008

Portimão tem, Olhão não

Olhão, 17 de Maio de 2008

 

Foi inaugurado ontem  o Museu Municipal de Portimão na antiga fábrica Feu Hermanos , onde Indústria Conserveira tem um lugar destacado e com três exposições permanentes, a Origem e Destino de uma Comunidade, A Vida Industrial e o Desafio do Mar e Do Fundo das Águas.
No mesmo dia em que Francisco Leal anunciava mais uma vez ‘eleitoralescamente’, na TSF, a construção do Museu de Olhão no antigo matadouro.
Em Portimão, os munícipes acompanharam a sua concepção, construção e inauguração. E promete ser uma autêntica fábrica de cultura.
Já é encarada a candidatura a prémio europeu pela sua qualidade, como museu industrial, na Europa.
Era bom e de elementar comportamento democrático que  F.Leal revelasse como vai ser o Museu de Olhão, para que a população possa dar a sua opinião e envolver-se no projecto.
Eu deixo já uma pergunta: a indústria conserveira em Olhão é contemplada no Museu da Inovação e do Mar?
Links para imagens:
- Fachada da Fábrica “La Rose”
- sala de descabeço 1
- sala de descabeço 2
- planta esquemática e legenda do Museu

 

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publicado por Raul Coelho às 19:23
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Um património a preservar

Olhão, 7 de Maio de 2008

A indústria conserveira foi, de entre todas as actividades económicas, a que foi mais decisiva para o desenvolvimento de Olhão, nos seus 200 anos de existência.
Mais do que a pesca. Esta só progrediu puxada pelas necessidades de pescado da actividade conserveira.
Depois do núcleo habitacional original de Olhão, a Barreta , toda a expansão urbana (grosso modo) tem a sua génese com a expansão da indústria de conservação de peixe e outras adjacentes, com as mais-valias obtidas pelos empresários e rendimentos dos trabalhadores melhor renumerados a serem aplicadas na construção de casas para moradia propria e arrendamento, em novos arruamentos traçados por despachados presidentes de câmara.
Tempo foi que chegaram a laborar mais de 80 fábricas, em que a mão-de-obra confluía a Olhão, de Cacela a Quarteira.
Bem diferente dos dias de hoje, que por circunstâncias diversas a I. de conservas é quase nula e a actividade piscatória anda a bater os mínimos , com os moradores a saírem diariamente aos milhares para o trabalho noutras localidades e regressarem para a pernoita.
Das antigas fábricas restam uns poucos edifícios em ruínas.
Dessa vida doutros tempos está eminente o desaparecimento dessa memória de labuta e desenvolvimento sem qualquer referência física.
A Câmara que deveria ter o dever e a obrigação de preservar essa memória histórica disse ainda recentemente não.
Quando da consulta pública do plano de pormenor da Quinta de Marim, a CDU e a APOS propuseram o aproveitamento da Fábrica do Carepinha , que ainda está para as curvas como edificação, mais o bairro operário antigo, para que aí se instalasse o Museu da Industria Conserveira, ao que a edilidade sabiamente recusou em troca de mais umas licenças de construção para o local.
Não pode morrer a ideia das propostas. O plano de pormenor como está não tem que inexoravelmente ir para a frente.
Se a Constituição, a lei mater do estado, tem mecanismos para ser alterada, não será a lei do Leal para Marim que é imutável. Basta que haja vontade política para accionar os mecanismos legais para a sua alteração.
Venham edis com essa vontade.
Enquanto tal não acontece é necessário que os materiais do Museu ainda existentes sejam inventariados e protegidos.
Ainda há poucos anos, Luciano Cativo, publicava no jornal do Olhanense matéria documental desses tempos e muita mais haverá nos arquivos de algumas fábricas no Grémio e Sindicato conserveiros.
Dos equipamentos industriais ainda deve haver alguns se por acaso não foram já exportados para a China para fazer lâminas de barbear.
A APOS tem aqui uma palavra a dizer. O que fizer merece o apoio dos olhanenses.
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publicado por Raul Coelho às 08:59
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